O IEN na mídia

Fonte : Revista Brasil Nuclear - ano 7 - nº 20 - Jan-Mar/2000


2000, o ano nuclear

Jandira Feghali (deputada federal)

Neste momento em que ressurge a febre amarela no Brasil e que somos os campeões de morte por tuberculose, constatamos o aumento do número dos excluídos, face aos efeitos da globalização. Com todos os problemas sociais que acarreta, cresce a nossa convicção quanto ao papel da ciência e tecnologia na busca de saídas para este quadro.

De uma maneira geral, o Brasil só será capaz de disputar os mercados internacionais se passar a agregar valor tecnológico aos seus produtos. Por outro lado, só reduzirá a sua dependência externa se for capaz de desenvolver tecnologia própria. A tecnologia nuclear também deve ser vista sob esta perspectiva, pois temos todo o potencial para grandes avanços em função da disponibilidade de técnicos e pesquisadores devidamente capacitados e uma vasta tradição de P&D no setor.

O ano de 2000 será marcante em termos de realizações do setor nuclear. A usina Angra 2 estará em operação comercial, gerando 1300 MW para a região Sul-Sudeste, concretizando o sonho de uma geração de técnicos que se dedicou durante mais de 20 anos neste desafio. Certamente, o sucesso de Angra 2 abre perspectivas positivas para a retomada de Angra 3. Dentro do programa de desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear, também em 2000, a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), em parceria com o Centro Tecnológico da Marinha de São Paulo, dá partida ao projeto de implantação da unidade industrial de enriquecimento de urânio em Resende, utilizando a tecnologia de ultra-centrifugação, demonstrando que o desenvolvimento tecnológico próprio dá resultado. Só com a redução de importação de serviços do exterior, este projeto vai economizar R$ 10 milhões por ano. Com a demanda de combustível nuclear das usinas de Angra 1, 2 e 3, o ciclo do combustível nuclear fica auto-sustentável economicamente, e quem ganha é o Brasil, que passa a contar com a opção nucleoelétrica para dar sustentação ao processo de desenvolvimento que todos nós desejamos.

Neste ano teremos outra grande realização. O IEN (Instituto de Engenharia Nuclear) dará início no primeiro semestre à construção, no Rio, de um centro para diagnósticos através da Tomografia por Emissão de Pósitrons-PET, que permite detectar com segurança doenças como o câncer, reduzindo os custos e o tempo de internação do paciente. Os exames PET têm aplicação em outras áreas da medicina além da oncologia, como a cardiologia e a neurologia, mas são, particularmente, indicados para detectar vários tipos de câncer, como útero, pulmão, testículo, ovário, mama e ósseo.
Essas realizações precisam chegar ao conhecimento da sociedade como forma de superar os preconceitos e o desconhecimento sobre os benefícios que a tecnologia nuclear traz para todos. A revista Brasil Nuclear precisa aumentar sua circulação e novas iniciativas precisam ser tomadas para consolidar a aceitação sócio-política da energia nuclear no Brasil. Essas conquistas devem ser motivo de orgulho do nosso povo. É fruto do trabalho de profissionais que, mesmo em condições adversas, geram conhecimento, tecnologia e produtos comparáveis aos do chamado primeiro mundo.
No momento em que o governo planeja equivocadamente dividir e vender empresas estratégicas como Furnas, continuarei a dar todo meu apoio a este esforço meritório dos técnicos do setor nuclear. O país precisa dominar esse tipo de energia e investir em tecnologia como elemento importante para a solução dos problemas nacionais.