O IEN na mídia

Fonte : Revista ECO21 - Fevereiro/2001


IPEN produzirá Iodo-123 ultrapuro

Radioisótopo permite diagnósticos médicos com maior precisão


Regina Bezerra - Jornalista ambiental

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) de São Paulo, anunciou o início da produção do iodo-123 ultrapuro e a sua distribuição para hospitais, clínicas e laboratórios da capital a partir do próximo mês de Março. Adicionado a compostos químicos, o radioisótopo é utilizado para o diagnóstico de funções da tireóide, inclusive a ocorrência de tumores, além do cérebro e do coração, entre outros. Permite também uma melhor qualidade nas imagens com doses mais baixas de radiação.

Além de São Paulo, outros municípios também serão atendidos pelo IPEN. De acordo com a química Constância Pagano, Chefe do Centro de Radiofarmácia do Instituto, “compostos marcados com iodo-123 ultrapuro podem ser utilizados para diversos diagnósticos no organismo humano. Há um grande mercado em potencial; a aceitação tem sido boa e o mercado é favorável”.

Para um dos coordenadores do projeto, o físico Valdir Sciani, a nacionalização dessa tecnologia é de extrema importância. “A meia-vida curta do iodo-123 ultrapuro inviabiliza sua importação e a compra de um sistema desses é muito cara. Portanto, o seu desenvolvimento é essencial para a distribuição do produto no País e para a medicina nuclear brasileira”, ressaltou.

O iodo-123 ultrapuro tem meia-vida - tempo em que a radioatividade decai pela metade - de 13 horas, mais curta que a dos outros radioisótopos utilizados para o diagnóstico da tireóide. Por isso, é o mais indicado, principalmente, para a utilização em crianças. A melhor nitidez de imagem que ele proporciona permite diagnósticos precoces e mais precisos, contribuindo assim para o tratamento nos casos de câncer.

Este é o primeiro sistema de produção do iodo-123 ultrapuro a partir do gás xenônio-124 desenvolvido na América Latina.

Até pouco tempo, o IPEN produziu iodo-123 comum a partir do óxido de telúrio, o que gera o iodo-124, impureza que limita o prazo de aplicação para no máximo dez horas após a produção e tem o inconveniente de um diagnóstico menos preciso.

Além disso, também é utilizado o iodo-131, que é o primeiro radioisótopo produzido no Brasil, e emite uma quantidade maior de radiação, tendo meia-vida de oito dias.
O projeto de construção do sistema de irradiação do xenônio para produção do iodo-123 ultrapuro foi financiado pela Agência Internacional de Energia Atômica, órgão das Nações Unidas dedicado à energia nuclear; pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); e contou com verba orçamentária do IPEN. No total, foram investidos R$ 320 mil durante cerca de dois anos.

Também foi adquirido um ciclotron por US$ 5,5 milhões; trata-se de um acelerador de partículas utilizado para transformar o xenônio-124 em iodo-123 ultrapuro.

O IEN produz o iodo-123 comum desde 1998 e o distribui para Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba. Em 2000, produziu 36 mil mCi (miliCuries) do radioisótopo, o que possibilita o atendimento de cerca de 23 mil pacientes. A tecnologia utilizada foi obtida a partir de um convênio com o Instituto de Pesquisas Karlsruhe, da Alemanha, e com a Agência Internacional de Energia Atômica, envolvendo o treinamento de técnicos do IEN naquele país, além da transferência dessa tecnologia.