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Fonte : Site do MCT - 28/01/2002


Brasil inicia corrida para oferecer tomografia de alta definição

RIO - O Brasil começou uma corrida para instalação - a começar por instituições públicas - de um método de diagnóstico que vem mudando o tratamento de câncer, doenças cardíacas e problemas neurológicos.

Dentro de alguns meses, aparelhos que permitem a realização das formas mais avançadas de tomografia por emissão de pósitrons (conhecida pela sigla PET) devem chegar ao Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da USP, ao Instituto de Engenharia Nuclear do Rio de Janeiro e ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco.

Ao contrário de outras tomografias, que fornecem informações sobre a estrutura de um ou mais órgãos, a máquina de PET permite a observação direta do metabolismo das doenças.

Segundo estudos realizados nos Estados Unidos, quase metade dos pacientes submetidos ao exame tem o tratamento ou diagnóstico alterados - disse o médico Eduardo Lima, responsável pelo Serviço de Medicina Nuclear do Hospital do Câncer de São Paulo, que adotou a tecnologia em agosto do ano passado.

O exame lança mão de propriedades de uma substância radioativa - o flúor-desoxiglicose (FDG ou flúor-18). A substância é administrada ao paciente e marca as concentrações de glicose em cada área. A demanda por glicose (molécula que fornece energia) é diferente nos tecidos saudáveis e doentes.

- Como os tumores malignos consomem a glicose em uma quantidade muito grande, as marcas assinaladas pelo FDG na tomografia mostram com clareza a atividade destes tumores. Assim você consegue saber se um tumor é maligno ou benigno, antes mesmo de uma biópsia. Também descobre se um câncer foi curado e se há outro em algum lugar suspeito. Ou até se existe reincidência de atividade cancerosa em uma área de onde o tumor já foi retirado e que em exames normais aparecem apenas como lesões cicatrizadas - conta Eduardo Lima.

Mas a razão para o Brasil demorar tanto para adotar amplamente o exame PET vai além das dificuldades financeiras. O FDG tem meia-vida curta: de 30 minutos a duas horas. A meia vida é o tempo que uma substância demora para perder metade da sua radioatividade. A produção desses radioisótopos, em uma máquina chamada Ciclotron, deve ser feita próximo ao local do exame.

- O único lugar do Brasil que produz e distribui o FDG atualmente é o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, em São Paulo). Como a meia-vida do FDG é muito curta, ele só pode ser distribuído para clínicas e hospitais de Campinas e São Paulo - explica Rogério Gouveia, assessor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

De acordo com o Ipen, nove clínicas recebem a substância, embora nem todas usem-na para realização de PET, mas sim em outras câmaras mais antigas que detectam emissão de pósitrons. O FDG é usado no Hospital das Clínicas da Unicamp, no Camp Imagem Nuclear,no Centro de Medicina Nuclear de Campinas, no Instituto do Coração, no Hospital Israelita Albert Einstein, no Hospital do Coração, no Hospital do Câncer de São Paulo, no Hospital Sírio-Libanês e no Laboratório de Análises Clínicas Gastão Fleury.

O Instituto de Engenharia Nuclear, no Rio de Janeiro, comprou um Ciclotron, que, até setembro, deverá estar pronto para fornecer o FDG. O Instituto Nacional do Câncer e a UFRJ planejam comprar, em parceria, o equipamento para realização do exame na cidade.

Em Recife, o exame poderá estar disponível ainda este ano no Hospital das Clínicas da UFPE. O hospital está comprando a câmara de tomografia e deverá usar FDG fabricado pelo Centro Regional de Ciências Nucleares do Recife, que está comprando um Ciclotron.

por Daniela Amorim