Fonte : O Estado de São Paulo - 16/04/2000
Cargas radioativas circulam no dia-a-dia do País
Material é empregado em hospitais, indústrias
e centros de pesquisa Dentro de uma piscina de 10 metros de profundidade na Cidade Universitária, o núcleo de um reator de urânio brilha com uma luz azul serena, hipnotizante, como uma estrela que ilumina a escuridão do cosmo. A tranqüilidade e a beleza, no entanto, escondem uma das forças mais poderosas do universo: a energia atômica. Dentro do núcleo, bastões preenchidos com elementos químicos são bombardeados com nêutrons para torná-los radioativos. A radiação excedente é absorvida por 270 metros cúbicos de água que envolvem o reator, permitindo que uma pessoa observe o núcleo a olho nu. Tudo isso dentro do câmpus da Universidade de São Paulo, no sítio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), por onde circulam quase diariamente carregamentos de elementos radioativos, a caminho de hospitais, centros de pesquisa e indústrias em todo o País. A radiação é usada em tratamentos de câncer, na esterilização de alimentos e até para verificar o volume de garrafas de cerveja e refrigerante.
Há cerca de 2.500 instalações radioativas no País, 70% delas na Região Sudeste, de acordo com a Cnen. Essas atividades são fiscalizadas por cerca de mil técnicos da comissão e outros 5.200 profissionais certificados por ela, informa o órgão. Os maiores consumidores de materiais radioativos são os hospitais e centros de saúde das grandes metrópoles. Os radiofármacos são usados em várias aplicações, tanto para diagnóstico quanto para tratamento. No reator do Ipen, chamado IEA-R1, são produzidos o iodo-131 (em fase de teste) e o samário-153, enquanto um ciclotron (acelerador de partículas) produz o flúor-18 e o iodo-123. Além disso, uma série de outros radioisótopos são importados e fracionados regularmente pelo Ipen e enviados aos centros de medicina nuclear do País.
Além do Ipen, o único outro local de produção de radioisótopos no País - em escala muito menor - é o Instituto de Energia Nuclear (IEN), na Cidade Universitária da Ilha do Fundão (RJ), que atende o mercado hospitalar carioca.
No início do mês, a Secretaria do Meio Ambiente de São
Paulo proibiu o desembarque de 1.900 quilos de dióxido de urânio
no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, com destino a Resende (RJ), por
não ter recebido o processo oficial do Ibama para o transporte
da carga. |