Fonte : O Estado de São Paulo - 31/03/1999
IEN distribui iodo
com menor dose radiológica
Medicamento começa a ser vendido este mês para hospitais das principais capitais do País ROBERTA JANSEN RIO - O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) começa a vender este mês para hospitais das principais capitais brasileiras o iodo-123 ultrapuro, produto que substitui o iodo-131, utilizado em exames para diagnósticos de doenças da tireóide. Com doses radiológicas 60 vezes menores, o novo remédio vai beneficiar cerca de 120 mil pacientes/ano. O IEN informa que os danos ao meio ambiente resultantes da liberação do elemento radioativo serão reduzidos 5.900 vezes. A substituição segue tendência mundial. O iodo radioativo é comumente usado nos exames para diagnosticar disfunções da tireóide e ministrado sob forma de comprimido. Depois que o produto se acumula na glândula, equipamentos especiais "visualizam" a distribuição e o metabolismo do elemento radioativo, indicando o tipo de distúrbio do paciente. No Brasil é usado o iodo-131, que emite um raio gama com energia de 364 mil eletrons-volts (keV) e tem uma meia-vida de oito dias (tempo em que a quantidade do produto no organismo é reduzida à metade). "Como são gastas apenas algumas horas para o exame e a meia-vida do iodo-131 é relativamente muito longa, o paciente fica exposto à radiação mais que o necessário", afirmou o superintendente do IEN, Sérgio Cabral. Segundo ele, a proposta agora é reduzir ao máximo a radiação, como forma de prevenção. O iodo-123, com um raio gama de 159 keV's e apenas 13 horas de meia-vida, tem dose radiológica 60 vezes menor. Desde 1986, o IEN, órgão da Comissão Nacional
de Energia Nuclear (CNEN), produz o iodo-123 em poucas quantidades,
suficientes apenas para 160 pacientes por semana. Com equipamento mais
moderno, financiado pela Agência Internacional de Energia Atômica,
a produção atual tem capacidade para atender até
7 mil pacientes por semana. |