Fonte : Jornal O Globo - 02/12/2002
Brasil começa a fazer exame de alta definição
Roberta Jansen Um exame médico de altíssima resolução, capaz de identificar tumores nos estágios mais iniciais, além de lesões cardíacas e cerebrais, começará a ser feito rotineiramente no Brasil no ano que vem quase 30 anos depois de lançado nos Estados Unidos. A defasagem tecnológica tem uma explicação simples: somente agora o país vai começar a produzir em larga escala o elemento radioativo necessário para a realização do exame. A Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET, na sigla em inglês) é feita a partir da injeção no paciente de uma solução a base de glicose e flúor 18 (um elemento radioativo). Praticamente 99% do metabolismo consomem glicose. Por isso, a substância é atraída para os locais do corpo em que esteja havendo uma multiplicação exagerada (por exemplo, a formação de um tumor) e praticamente não chega a áreas lesionadas, onde a atividade é mínima (caso de lesões cardíacas e cerebrais). O flúor 18, por sua vez, funciona como um contraste: quando o paciente é colocado num aparelho de tomografia PET, os médicos conseguem visualizar os danos de forma muito mais acurada. O problema é que para o exame ser realizado com freqüência, é preciso que haja uma produção regular de flúor 18, até agora incipiente no Brasil. Mas o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) vai inaugurar em breve um aparelho de última geração, denominado ciclotron, capaz de produzir até 240 doses da solução necessária para o exame. A quantidade é suficiente para abastecer cerca de 30 hospitais. Os exames tradicionalmente feitos no Brasil, como ressonância magnética, tomografia comum, ultra-som e raio X, dão informações sobre a estrutura dos órgãos explicou o superintendente do IEN, Sérgio Chaves Cabral. O PET dá informações sobre o metabolismo do órgão. É importante porque há muitos danos que não afetam as formas de um órgão e, por isso, não são diagnosticados num exame tradicional. Aparelho é usado para estudar reações nucleares O ciclotron é um acelerador de partículas do tipo usado comumente para se estudar reações nucleares. Quando partículas de núcleos de átomos são aceleradas os choques entre elas provocam diferentes reações que podem gerar diversos elementos radioativos. A partir disso, podemos fabricar radiofármacos, ou seja, marcadores que funcionam como contraste para que se possa estudar o metabolismo de determinado órgão explicou Cabral. Além do ciclotron, foi adquirido um aparelho chamado célula de processamento, responsável por unir o flúor 18 à glicose. O projeto custou US$ 2 milhões. Segundo Cabral, dois hospitais do Rio estão equipados para realizar
o exame e outros quatro já demonstraram interesse na compra de
tomógrafos PET e devem começar a oferecer o exame no próximo
ano. Os valores ainda não foram definidos, mas, no exterior, um
exame PET pode custar de US$ 1.500 a US$ 2.000. |