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O IEN na mídia
 

Formação de especialistas é desafio da expansão nuclear

 
 

A retomada mundial do uso da energia nuclear para geração de eletricidade tem criado desafios para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Uma das principais preocupações é a formação de técnicos e pesquisadores em número e qualidade suficiente para atender à demanda, fator fundamental para a implantação e operação segura das centrais nucleares do futuro.

Foi o que motivou a agência a promover a Conferência Internacional sobre o Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Introdução e Expansão de Programas Nucleares de Potência, que em março passado reuniu especialistas, gestores, autoridades e empresários de 78 países em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A participação brasileira foi representada pelos servidores da CNEN Orlando J. A. Gonçalves Filho (IEN), Márcia O. Pupak (IPEN), Patrícia Wieland (DNOR/sede) e Marissa A. R. Cardona (CGMI/sede).

Estimulados por fatores como o aquecimento global, a maior demanda energética e o desenvolvimento de reatores mais seguros e econômicos, quase 60 países já comunicaram à AIEA o interesse em construir suas primeiras usinas atômicas. Além disso, muitos dos 30 países detentores de tecnologia nuclear pretendem expandir seus programas, entre eles o Brasil.

O desenvolvimento de recursos humanos nos países que querem ingressar na era nuclear e a necessidade de substituir a atual geração de engenheiros e técnicos nos países que já desenvolveram essa indústria foram alguns dos principais desafios identificados. Isso porque nas últimas décadas, com o desaquecimento dos programas de nucleoeletricidade, houve uma grande redução no número de estudantes e mesmo de cursos universitários em ciências nucleares. O encontro em Abu Dhabi teve como objetivo discutir a experiência dos países com seus programas nucleares, disseminar as melhores práticas vigentes de formação e capacitação e identificar oportunidades de compartilhar infra-estruturas.

Projetos inovadores

Assessor da Diretoria do IEN, Gonçalves apresentou na conferência, em coautoria com Farhang Sefidvash, professor da UFRGS, o trabalho intitulado “Desenvolvimento de Recursos Humanos para um Programa Nuclear Inovador em um País Emergente”. Nele defende que os países emergentes com interesse e disponibilidade financeira não se limitem ao desenvolvimento de infra-estrutura para a construção e operação segura de seu primeiro reator nuclear, conforme proposto pela AIEA, mas que desenvolvam também capacidade de pesquisa e desenvolvimento (P&D), participando do projeto de um reator inovador. Seu trabalho tem como base a experiência brasileira em projetos internacionais de reatores avançados, como o Iris e o Inpro, e no desenvolvimento do reator nuclear a leito fixo (FBNR).

Entre os trabalhos apresentados na conferência, Gonçalves destaca os que estão sendo desenvolvidos no Texas (EUA), onde ocorre uma estreita parceria entre a indústria nuclear e as universidades locais, e no Japão, onde os estudantes de tecnologia nuclear aprendem conceitos de direito e política nucleares (disciplina denominada “sociologia nuclear” pelos japoneses).

A íntegra dos painéis de discussão e dos trabalhos apresentados pode ser encontrada na página oficial da conferência na Internet:

www.iaea.org/inisnkm/nkm/pages/2010/conference_UAE_March_2010.htm

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