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Hidrogênio por via nuclear: tecnologia
do futuro para o Brasil
O Brasil começa a dar este mês seus
primeiros passos no conhecimento e domínio de uma tecnologia do
futuro. Nos dias 9 e 10 de março, 26 pesquisadores do Instituto
Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Reatores Nucleares Inovadores
estarão reunidos no 1º Seminário de Produção de Hidrogênio por Via
Nuclear, que acontecerá no IEN.
A produção de hidrogênio via nuclear
é um processo limpo, não-poluente, ao contrário dos processos utilizados
hoje em dia, que emitem gás carbônico para a atmosfera. O hidrogênio
é largamente consumido pelas indústrias do petróleo, química, farmacêutica
e de alimentos. Prevê-se que no futuro, com o advento das células
de hidrogênio para fornecer energia a veículos - uma tecnologia
também não-poluente -, haja grande demanda desse elemento. Para
satisfazer essa demanda, a forma mais ecologicamente aceitável utiliza
reatores nucleares como fontes de calor no processo de produção.
“Uma vez dominada a tecnologia de
produção de hidrogênio por vias compatíveis com reatores nucleares
avançados, o conjunto das indústrias brasileiras de energia poderá
fazer a opção estratégica do ingresso na era da economia do hidrogênio”,
diz Celso Marcelo Lapa, professor da pós-graduação do IEN e integrante
do Comitê Gestor do INCT de Reatores Nucleares Inovadores. Lapa
argumenta que “considerando as mudanças climáticas em curso e a
ausência de fontes maciças de energia limpa, a humanidade ingressará
na era da energia nuclear e do hidrogênio em poucas décadas, e o
Brasil não pode ficar para trás.”
No seminário pretende-se agregar
e ampliar pesquisas nacionais sobre o tema. Além disso, estará em
discussão um projeto para instalação, no IEN, de uma planta piloto
de produção de hidrogênio, que estaria funcionando em um prazo de
cinco anos. Nessa planta piloto, as altas temperaturas necessárias
seriam obtidas sem a ajuda de um reator nuclear, mas o processo
químico deve ser um dos que será utilizado no futuro para a produção
de hidrogênio via nuclear (eletrólise ou ciclo enxofre-iodo).
Criados em 2009, os INCTs são redes
que integram grupos de pesquisa de diferentes instituições sob uma
temática comum. O INCT de Reatores Nucleares Inovadores conta com
cerca de três milhões de reais em três anos para conhecer e desenvolver
modelos avançados de reatores e tecnologias associadas.
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